Será que a alimentação poderá ter impacto de forma a causar infertilidade?

Por si só, a espécie humana não tem um grande poder reprodutivo, visto que se estima que na ovulação da mulher, apenas 25% das relações sexuais resultam em conceção. Por outro lado, tem-se observado que a percentagem de indivíduos que sofrem de infertilidade tem vindo a aumentar, nas últimas décadas. Segundo diversos estudos, isso pode ser resultante de hábitos alimentares e de estilo de vida desadequados, como o sedentarismo, excesso de atividade física, má nutrição, sobrepeso ou baixo peso, stress, hábitos tabágicos, poluição, consumo elevado de álcool e drogas. Em baixo, descubra como a alimentação e o estado nutricional podem relacionar-se com a sua fertilidade.

Quais os os pontos a considerar para determinar uma possível infertilidade?

Segundo a Organização Mundial de Saúde, estamos perante uma suspeita de infertilidade, quando estamos perante a ausência de gravidez após dois anos de relações sexuais regulares sem uso de contraceção. No entanto, isto varia consoante a idade, por exemplo, se estivermos a falar de uma mulher com uma idade superior a 35 anos, consideramos apenas 6 meses. Outro dos aspetos, necessários a ter em conta, é que infertilidade não se destina apenas à capacidade de conceção, mas também, de não conseguir levar uma gravidez até ao fim.

Mulher grávida | Alimentação e Infertilidade | Holmes Place

Como é que a alimentação pode influenciar a fertilidade?

Determinados hábitos alimentares podem levar a valores antropométricos desfavoráveis para a fertilidade do indivíduo em questão. É percetível que os indivíduos com um Índice de Massa Corporal (IMC), tanto baixo, como aumentado, são mais propensos a desregulações hormonais, sobretudo da testosterona e do estradiol. Estes também podem condicionar a sensibilidade à insulina (fundamental para regular o ciclo ovário) e os valores de leptina, o que pode acabar por afetar negativamente a ovulação e a produção de espermatozoides.

Grande parte dos estudos apontam para uma correlação entre o stress oxidativo exacerbado, grande acumulação de radicais livres de oxigénio (ROS), com uma das principais causas de infertilidade masculina. Dado que o organismo não tem a possibilidade de neutralizá-los, através de substâncias antioxidantes, os ROS acabam por danificar estruturalmente e funcionalmente os gâmetas, visto que têm a capacidade de alterar os ácidos gordos polinsaturados que constituem as membranas celulares, através de um processo denominado por peroxidação lipídica. Estima-se que esta é responsável por 40% dos homens que sofrem de infertilidade. Sabe-se que o excesso oxidativo também pode afetar a fertilidade das mulheres, mas é mais notório nos homens, devido ao facto de provocar a diminuição da produção de espermatozoides, alterar a sua mobilidade e qualidade assim como a fragmentação do DNA.

Alimentos saudáveis | Alimentação e Infertilidade | Holmes Place

Qual a dieta alimentar a seguir?

A principal estratégia preventiva consiste em garantir uma dieta rica em substâncias antioxidantes como vitamina A, presente na gema do ovo, agrião, batata doce, couves e manga, assim como vitamina C, constituinte dos citrinos, frutos vermelhos e pimentos, de vitamina E, presente nos leguminosas, sementes, cremes e óleos vegetais. Também de cobre, integrante nas leguminosas, carne de porco e de frango, de manganês, presente no pescado, cereais integrais, leguminosas e sementes, de selénio, integrante na carne, pescado, cereais integrais e castanhas do Pará, de zinco, presente na carne, pescado, produtos lácteos e leguminosas. Assim como alguns fitonutrientes, como temos exemplo, os carotenóides, em especial os betacarotenos, precursores da vitamina A, presentes na abóbora, batata doce, cenoura, manga e papaia, e por último, de polifenóis, integrantes no cacau, vinho tinto, chá branco e verde.

Por outro lado, alguns estudos indicam que a melhor dieta para potenciar a fertilidade, consiste num padrão alimentar rico em fibras, hidratos de carbono de baixo índice glicémico, como temos exemplo os cereais integrais, produtos fruto-hortícolas e leguminosas, um bom teor de gorduras monoinsaturadas, como o abacate e o azeite, assim como pobre em gordura saturada e proteína animal. Isto para que a síntese de DNA decorra adequadamente, visto que esta encontra-se diretamente relacionada com a produção dos oócitos e espermatozoides.

Conclusão

Hoje em dia, sabemos que o estado nutricional não é apenas importante numa fase pré-concecional, gestacional e de amamentação, mas que os hábitos alimentares em idade reprodutiva também podem influenciar a fertilidade, quer na mulher, quer no homem. Sabemos que os valores antropométricos podem levar a que exista desregulações endócrinas, assim como alguns hábitos de estilo de vida pouco saudáveis, como o tabagismo e o alcoolismo. Por outro lado, o stress oxidativo pode provocar alterações ao nível dos gâmetas reprodutivos, principalmente no masculino. Além disso, é fundamental existir um bom estado nutricional para que ocorra adequadamente a síntese do DNA.

Referências bibliográficas:

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• Gonçalves, M. 2017. Composição corporal, ingestão nutricional e infertilidade masculina. Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

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• Silva, L., Carvalho, L. Actualizações na infertilidade masculina. Sociedade Portuguesa de Andrologia.

Catarina Nascimento

Nutricionista Holmes Place Oeiras

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